R. Ibiraçu, 226 - São Paulo, SP, Brasil
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Na Experiência Beta Ubatuba e Paraty, um grupo de pessoas junto a Aoka se reuniu para descobrir as incríveis atrações turísticas das regiões de Ubatuba e Paraty. Durante esta viagem provamos as delícias da culinária local, como a salada quilombola e o azul marinho, caminhamos por trilhas na Mata Atlântica, nadamos em poços de água doce, conhecemos técnicas de agrofloresta, dançamos jongo com as comunidades tradicionais, tecemos juntos cestas de taboa instruídos por artesãos locais e ouvimos as incríveis histórias dos griôs de cada comunidade.
Participaram trinta e cinco pessoas, entre membros das comunidades do Quilombo do Campinho da Independência, Quilombo Sertão da Fazenda, Quilombo do Camburi e Vila de Picinguaba, além de representantes do Parque Estadual da Serra do Mar - PESM, empresários locais, visitantes, equipe Aoka e facilitadores.
A cada dia descobrimos os tesouros naturais, culturais, e sócio-econômicos da região e trocamos experiência sobre os momentos vividos mais emocionantes.
O que fez desta viagem tão especial foi à aplicação de uma metodologia chamada Investigação Apreciativa – IA, que pode ser definida como uma busca cooperativa do melhor nas pessoas, nas suas organizações e no mundo ao seu redor. Envolve a descoberta sistemática do que dá “vida” a um sistema quando ele está no seu estado mais eficaz e capaz, em termos humanos, ecológicos e econômicos. Ela mobiliza a “investigação” artesanalmente na preparação de uma “pergunta positiva incondicional”.
A partir desta viagem, os participantes mostraram suas visões de como pode ser um roteiro de turismo sustentável através de mapas coloridos, desenho e o uso de ícones. Os participantes, divididos em grupos, pontuaram e se comprometeram com ações para viabilizar os itinerários sugeridos na região. Entre os compromissos assumidos estão o desenvolvimento de materiais de comunicação para as comunidades, planejamento e apoio técnico, educação ambiental, cursos de marketing e línguas estrangeiras, além da divulgação das comunidades.
Esta viagem foi um grande passo positivo para o turismo sustentável na região, não só para a Aoka, mas para todas as comunidades, empresários locais e visitantes envolvidos. A Experiência Beta Ubatuba e Paraty causou uma mudança de consciência por meio de um processo colaborativo de visão do mundo com outros olhos.
Em nome da equipa Aoka, agradecemos a todos que se juntaram a nós nesta experiência incrível!
Veja abaixo os depoimentos de quem particpou, efetivamente, na Experiência Beta - Ubatuba-Paraty:
Modelo ótimo, sem palavras, mais um sonho concluído.
-Alessandra Braga, Communidade de Sertão da Fazenda
Parabéns pela proposta e iniciativa.... envolvimento das comunidades vai ser sempre o sucesso.
-Sinei Martins, Communidade de Campinho da Independência Quilombo
Uma experiência incrível, enriquecedora, inspiradora, linda! Foi uma realização ver pessoas tão unidas em busca da mesma causa – um mundo melhor para todos.
-Visitante
Evento incrível, equipe toda está de parabéns. Agradeço muito a oportunidade de poder participar...
–Angelo Pacheco, PESM
A regiao de Ubatuba e Paraty, tambem conhecida como Costa Verde, é um destino muito conhecido principalmente por sua paisagem inconfundível, combinando praias paradisíacas com florestas e montanhas. Apesar de o turismo ter se desenvolvido de maneira muito problemática na região nas últimas décadas, este lugar ainda guarda comunidades mais afastadas do centro da cidade que possuem traços da cultura tradicional, misturando os saberes caiçaras com traços culturais quilombolas, herdados por algumas famílias que descendem de antigos quilombos que existiram na região.
Algumas destas comunidades estão localizadas dentro da área do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) – Núcleo Picinguaba, sendo que dentro dos limites do Núcleo existem seis aglomerados humanos, contendo cerca de 1.015 moradores no total, que se encontram geograficamente dispersos e apresentam características sócio-culturais e de ocupação diferenciadas entre si.
A equipe de facilitadores do evento conta com 4 consultores com Mestrado em Desenvolvimento Organizacional Positivo (MPOD) pela Case Western Reserve University, de Cleveland, Ohio, Estados Unidos.
Orientada diretamente pelos criadores da Investigação Apreciativa David Cooperrider e Ronald Fry. Liderado por nossa consultora Maria Fernanda de Nascimento Sá, a equipe conta também com Tony Bond, Malia Scanlan e Stacy Ward-Braxton, todos consultores profissionais. Eles estudaram diretamente com os criadores da Investigação Apreciativa David Cooperrider e Ronald Fry. Cada um detém mais de quinze anos de experiência em consultoria organizacional e coaching, com experiência na aplicação da Investigação Apreciativa nos mais variados sistemas humanos.
Simone Bazarian, Floriana Breyer e Karen Demavivas possuem ampla experiência na facilitação e execução de projetos socioambientais em comunidades, auxiliando o processo de mobilização e engajamento das comunidades e atores locais antes, durante e depois do evento.
Além disso, teremos monitores locais que são moradores das comunidades do Sertão da Fazenda, do Camburi e do Campinho. Por terem nascido lá ou por viverem na região há muitos anos estes monitores locais são profundos conhecedores da região, muito conhecidos pelas comunidades e conhecem como ninguém os segredos da fauna e flora local, alem da cultura quilombola e dos garimperos. Têm ampla experiência na condução de visitantes na região e sua companhia certamente representa um dos pontos fortes dessa viagem.
Camburi é uma pequena vila de pescadores perto de uma praia isolada que fica no coração do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). A linda praia de Camburi é a primeira de muitas que correm o litoral norte inteiro (fronteira do Rio de Janeiro e São Paulo até a cidade de Ubatuba.) Por mais de 200 anos, quilombolas e caiçaras viveram lá em harmonia com a natureza. Camburi tem um significado histórico na prestação de refúgio para os primeiros quilombolas da região, que fugiram da escravidão das lavouras de café em Paraty, RJ. É uma comunidade de 48 famílias que ainda depende da forma tradicional de vida; Pescando em canoas de madeira e cozinhando em fogões a lenha. A área possui várias trilhas na floresta com cachoeiras escondidas e piscinas naturais. Os moradores gostariam de participar de turismo sustentável, como parte do desenvolvimento geral da comunidade e a preservação de seus modos de vida locais.
Esta comunidade é um aglomerado populacional do Núcleo Picinguaba (Bairro do Sertão da Fazenda da Caixa), que sediava no final do século XIX um engenho de açúcar e álcool e um moinho de fubá. Vivem lá cerca de 50 famílias, que sobrevivem da agricultura familiar. A comunidade também utiliza sistemas agroflorestais para produzir feijão, milho, hortaliças, e frutas como jambo, abacate, mamão, jaca, banana, etc. Atualmente a principal fonte de renda vem da comercialização de dois produtos: a Polpa de Juçara, cujo manejo sustentável é feito em parceria com o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica); e a Farinha de Mandioca, produzida na histórica Casa de Farinha do quilombo.
Nota: Ambas as comunidades são reconhecidas como quilombolas pela Fundação Quilombo dos Palmares, órgão do Ministério da Cultura que reconhece as comunidades de remanescentes quilombolas, e lutam pela regularização e reconhecimento de suas terras junto ao ITESP (Instituto de Terras de São Paulo) e outros órgãos governamentais responsáveis pela regularização da questão fundiária. Como há sobreposição com o Parque Estadual da Serra Do Mar (PESM), o processo se torna ainda mais complicado, pois envolve terras da União.
O Quilombo Campinho da Independência é reconhecido e certificado pelo ITESP(Instituto de Terras de São Paulo) e está localizado no município de Paraty, Rio de Janeiro, perto da fronteira com o Estado de São Paulo. O Quilombo foi fundado por três irmãs que foram libertadas pela abolição da escravidão, e dado a elas esta terra em que agora vivem 120 famílias. Hoje, a comunidade vive de sistemas agroflorestais e agricultura familiar, como o cultivo de feijão, arroz e milho,a mandioca e a cana-de-açúcar são suas principais fontes de renda, eles também fazem a juçara com a ajuda do IPEMA. O Campinho é particularmente forte em sua identidade cultural, se destacam por suas fortes redes organizacionais para a justiça e desenvolvimento sócio-econômica. A comunidade expressa sua cultura por atividades como: jongo (dança Áfricana, que se tornou um símbolo do orgulho afro-brasileiro na comunidade), capoeira angola, percussão, artesanato e culinária local. O Quilombo também possui um restaurante e uma loja de artesanato. Com a sua comunidade habilitada, Campinho é bem inclinado a abraçar turismo sustentável na região.